Sexta edição reúne artistas de quatro países, promove debates sobre inteligência artificial, ancestralidade e cultura digital, e consolida Ouro Preto como referência internacional da criação contemporânea.
Ouro Preto será novamente o centro de um dos mais importantes encontros entre arte, música, tecnologia e pensamento contemporâneo da América Latina. Nos dias 24 e 25 de julho, a cidade histórica recebe a 6ª edição do MARTE Festival, que reúne artistas, pesquisadores, músicos e criadores do Brasil, Paraguai, Argentina e Uganda em uma programação gratuita distribuída entre a Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência e a Casa Câmara.
Com o tema "O Futuro é Ancestral — e vem do Sul Global", o festival propõe uma reflexão sobre novas formas de produção de conhecimento, criação artística e inovação cultural, valorizando experiências construídas a partir das realidades dos países do Sul Global.
Ao longo de dois dias, o público poderá acompanhar shows, conferências, performances, projeções em laser mapping, intervenções artísticas e debates que aproximam tradição, tecnologia e patrimônio histórico.
Programação reúne grandes nomes da música e da arte contemporânea
A edição de 2026 apresenta um dos line-ups mais expressivos da história do festival. Entre os destaques estão Metá Metá, Assucena, Djuena Tikuna, Faizal Mostrixx (Uganda), Purahéi Soul (Paraguai), Otros Aires (Argentina), Estela Ceregatti, Catalina Telerman, Craca & Sandra X e Félix Robatto, além de performances da Cia Base Vertical e do espetáculo de laser mapping assinado por Homem Gaiola.
A programação artística percorre diferentes territórios culturais, promovendo encontros entre sonoridades indígenas, afro-brasileiras, latino-americanas, amazônicas, africanas e eletrônicas, reafirmando o caráter multicultural do evento.
Na abertura, na quinta-feira (24), a tradicional Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz conduzirá um cortejo pelas ruas da cidade, conectando simbolicamente a ancestralidade às manifestações artísticas contemporâneas.
Entre as atrações da noite estão a cantora indígena Djuena Tikuna, referência nacional na valorização das culturas originárias; Assucena, com o espetáculo Coração Americano; o grupo Metá Metá, reconhecido internacionalmente pela fusão entre música afro-brasileira, jazz e experimentação sonora; e o grupo argentino Otros Aires, que encerra a programação com o espetáculo Tango Mundi, combinando tango, música eletrônica e recursos audiovisuais.
No sábado (25), o festival apresenta shows de Estela Ceregatti, Catalina Telerman, do duo paraguaio Purahéi Soul, que ganhou projeção internacional ao participar da cerimônia de abertura da Copa do Mundo FIFA 2026, além da dupla Craca & Sandra X, do produtor e performer ugandense Faizal Mostrixx e do músico paraense Félix Robatto, referência na música amazônica contemporânea.
MARTE Lab promove debates sobre tecnologia, memória e cultura
Além da programação artística, o festival realiza o MARTE Lab, espaço dedicado à reflexão sobre os desafios da produção cultural contemporânea.
As atividades acontecem na Casa Câmara e reúnem pesquisadores, artistas e especialistas para discutir temas como inteligência artificial, racismo algorítmico, patrimônio, espiritualidade, direitos autorais, memória, cultura digital e os impactos da tecnologia na produção artística.
Entre os convidados estão nomes de destaque como Sérgio Amadeu, Tarcízio Silva, Tatiana Nascimento, Uýra Sodoma, Giselle Beiguelman, Aline Motta, Fernanda Takai, Tulipa Ruiz, Cláudio Fraga, Marcelo Falcão e Carol de Amar, que participam de painéis e mesas de debate voltados ao fortalecimento da criação artística no contexto latino-americano.
Festival consolida Ouro Preto como referência cultural
Criado em 2017, o MARTE Festival consolidou-se como uma das principais iniciativas brasileiras dedicadas à convergência entre música, arte e tecnologia. Ao longo de sua trajetória, passou por Mariana, realizou uma edição totalmente digital durante a pandemia e estabeleceu Ouro Preto como sede permanente.
Nas edições anteriores, o festival recebeu artistas como João Bosco, Tulipa Ruiz, Curumin, Russo Passapusso, Agnes Nunes, Tuyo, Edgar, Getúlio Abelha, Juçara Marçal, Teto Preto, Fausto Fawcett e Luiza Lian, além de promover oficinas, conferências, instalações e intervenções que aproximam patrimônio histórico, inovação e produção cultural.
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