Debate sobre redução da jornada de trabalho avança na Câmara dos Deputados e prevê carga semanal de 40 horas sem corte salarial.
Uma pesquisa divulgada pela Genial Quaest revelou que sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados são favoráveis à mudança na jornada de trabalho.
A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 11 de maio, com 2.004 brasileiros com mais de 16 anos, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O tema está em debate na Câmara dos Deputados por meio de uma comissão especial que discute a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. O relatório do deputado Leo Prates deve ser apresentado nesta quarta-feira (20).
De acordo com a proposta em discussão, a Constituição Federal poderá ser alterada para estabelecer jornada máxima de 40 horas semanais e adoção da escala 5x2, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana.
Apesar do apoio majoritário ao fim da escala 6x1, o levantamento mostra queda na aprovação quando a proposta envolve redução salarial. Nesse cenário, 60% dos entrevistados se disseram favoráveis à mudança, enquanto 39% afirmaram ser contra.
A pesquisa também apontou que o tema tem mobilizado a população. Segundo os dados, 43% dos brasileiros afirmaram acompanhar de perto as discussões sobre a redução da jornada de trabalho, enquanto 29% disseram apenas ter ouvido falar sobre o assunto.
O levantamento ainda identificou diferenças no apoio conforme o posicionamento político dos entrevistados. Entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 76% defendem o fim da escala 6x1. Já entre eleitores de direita não ligados ao bolsonarismo, o apoio registrado foi de 55%.
As discussões no Congresso envolvem as PECs apresentadas pelos deputados Erika Hilton e Reginaldo Lopes, que propõem mudanças no artigo 7º da Constituição Federal.
Além da redução da carga horária semanal, o texto em análise também prevê a inclusão de mecanismos para impedir redução salarial e garantir segurança jurídica durante a transição das empresas para o novo modelo de jornada.
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