Requerimento propõe aplicativo com rastreamento em tempo real, enquanto usuários ainda enfrentam falta de informação básica sobre ônibus.
A defasagem tecnológica do transporte coletivo em Ouro Preto voltou a ser alvo de críticas na Câmara Municipal durante reunião ordinária realizada na terça-feira (14), com a apresentação do Requerimento nº 131, de autoria do vereador Matheus Pacheco. O documento solicita ao OuroTran a realização de um estudo de viabilidade para implantação de um aplicativo oficial do sistema de transporte coletivo no município.
A proposta prevê a criação de uma ferramenta que permita aos usuários consultar itinerários, acompanhar a localização dos ônibus em tempo real, verificar a previsão de chegada aos pontos, acessar horários atualizados e receber avisos sobre atrasos, alterações e interrupções nas linhas. O aplicativo também poderia indicar, por meio de mapa, os pontos de embarque e desembarque.
Embora a iniciativa represente um avanço básico em termos de mobilidade urbana, o próprio teor do requerimento evidencia o atraso do município em relação a outras cidades brasileiras que já adotaram soluções semelhantes. Plataformas como Cittamobi e Moovit, por exemplo, já oferecem esse tipo de serviço em centenas de municípios, permitindo aos usuários maior previsibilidade e controle sobre seus deslocamentos.
Cidades como Rondonópolis (MT), São José dos Campos (SP) e Juiz de Fora (MG) já contam com sistemas integrados ou aplicativos próprios, reforçando o contraste com a realidade de Ouro Preto, onde passageiros ainda dependem, muitas vezes, de informações imprecisas ou inexistentes nos pontos de ônibus.
Na justificativa, o vereador destaca que há forte demanda da população por ferramentas que permitam acompanhar, em tempo real, a circulação dos veículos — uma necessidade básica em qualquer sistema de transporte minimamente eficiente. A ausência desse recurso contribui para longos períodos de espera, insegurança e dificuldades, especialmente para moradores de distritos.
O requerimento solicita ainda que o OuroTran informe se já existe planejamento para implantação de tecnologia semelhante e, caso contrário, que avalie a adesão a plataformas já disponíveis no mercado ou o desenvolvimento de um sistema próprio.
A proposta, embora simples, expõe uma questão mais ampla: a dificuldade do município em acompanhar soluções já consolidadas em outras cidades. Em vez de inovação, o debate evidencia a tentativa tardia de alcançar um padrão mínimo de qualidade e transparência no transporte público.
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