Histórias de artesãos mostram como tradição, capacitação e acesso ao mercado impulsionam negócios em Minas Gerais.
O talento manual que atravessa gerações ganha cada vez mais força em Minas Gerais, transformando histórias de vida em empreendimentos de sucesso. No Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, exemplos inspiradores mostram como criatividade, tradição e apoio estratégico têm convertido vocação em fonte de renda e desenvolvimento econômico. Em 2025, iniciativas apoiadas pelo Sebrae Minas movimentaram R$ 3,6 milhões em vendas diretas no setor.
A ceramista Cristiana Souza é um desses exemplos. Desde os 14 anos, encontrou no barro sua forma de expressão e construiu uma trajetória marcada por estudo, técnica e sensibilidade artística. Hoje, à frente do Ateliê Cor Cerâmica, em Belo Horizonte, produz peças utilitárias e decorativas de alta temperatura, com esmaltes próprios e processos que ultrapassam 1.200 graus. Mais do que arte, Cristiana aprendeu a enxergar seu trabalho como um negócio estruturado. Com apoio do Sebrae Minas, desenvolveu habilidades em planejamento, precificação e posicionamento de marca, ampliando sua atuação no mercado.
Já no sul do estado, em Soledade de Minas, Marcelo Simões Barbosa encontrou no artesanato um novo rumo profissional. Após anos viajando como vendedor de móveis, decidiu investir na produção artesanal ao perceber o potencial de suas criações. Hoje, com mais de duas décadas de experiência, ele transforma madeira reaproveitada em jogos educativos e relógios rústicos, unindo sustentabilidade e criatividade. Com o suporte do Sebrae, aprimorou sua gestão e qualidade de produção, alcançando reconhecimento nacional, incluindo premiações no TOP 100 de Artesanato.
O crescimento do setor também é refletido nos números. Minas Gerais conta com mais de 19 mil artesãos formalizados como microempreendedores individuais (MEI) e quase 12 mil Carteiras do Artesão emitidas, demonstrando a profissionalização da atividade. Apenas em 2025, mais de 2.900 profissionais foram atendidos com cursos, consultorias e ações de acesso ao mercado.
Programas como o Feito à Mão e o Origem Minas têm sido fundamentais nesse avanço. Enquanto o primeiro acelera negócios artesanais iniciantes, fortalecendo gestão e produção, o segundo promove a valorização da identidade regional e amplia a competitividade dos empreendedores. Outra iniciativa de destaque é a “Viagem para a Origem”, que conecta artesãos a lojistas de todo o país. Na última edição, realizada no Vale do Jequitinhonha, foram gerados cerca de R$ 500 mil em negócios diretos.
Além disso, o Sebrae Minas oferece suporte completo para a emissão da Carteira Nacional do Artesão, documento gratuito que garante reconhecimento profissional em todo o país. O processo inclui orientação desde o cadastro até a comprovação das habilidades artesanais.
As ações fazem parte da 8ª Semana do Artesão Mineiro, que acontece até 21 de março com programação gratuita em diversas cidades. A iniciativa celebra não apenas a arte feita à mão, mas também o potencial do setor como ferramenta de geração de renda, valorização cultural e fortalecimento das economias locais.
Mais do que peças, o artesanato mineiro carrega histórias, identidade e propósito — transformando talento em oportunidade e tradição em futuro.
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